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Quinta-feira, 7 de Junho de 2007

Carta ao Doutor Garcia Pereira, candidato à Câmara Municipal de Lisboa

Do Arquipélago dos Açores para a Grande Lisboa.


Carta ao Doutor Garcia Pereira, candidato à Câmara Municipal de Lisboa.


A árvore, o arbusto, a flor do campo, são riqueza maior também para a cidade.
O progresso e o bem-estar para os habitantes da cidade são também uma riqueza para os habitantes do campo.

Sem as árvores, os arbustos e as flores do campo, não há água cristalina nem ar puro.
Destruir as árvores, os arbustos e as flores do campo, é rarefazer e inquinar a água. Destruir as árvores, os arbustos e as flores do campo, é não renovar o ar para todos.
Sem a alta concentração de recursos que uma cidade proporciona os problemas avolumam-se sem resposta satisfatória não só para os que dão corpo à cidade como para aqueles que só na cidade podem encontrar o que só lá pode efectivamente acontecer.

Destruir a vida na cidade é impedir que o corpo social encontre os meios necessários para que também a vida fora dela não colapse anulando em ambas as faces as suas distintas possibilidades de desenvolvimento.

O campo sem progresso expulsa os que nele vivem em pujantes levas de desespero a assolar a cidade.

Uma cidade sem qualidade de vida expulsa citadinos conspurcando os campos com as malversões que os forçaram a sair

Não vivo em Lisboa. Não vivo sequer na cidade. Vivo no campo conspurcado por citadinos exercendo sempre que podem sobre quem tomam por mais fracos a prepotência que não souberam no seu terreno afrontar com coragem e inteligência.

Não vivo em Lisboa mas alegra-me que haja quem na cidade e para a cidade saiba equacionar

um programa lógico, um programa prático, um programa simples, um programa suportado por uma teoria abrangente, precisa, explícita, procurando relacionar causa e efeito, problema e resolução de problema, de modo a poder tudo ser aferido e comprovado por quem quer que o queira e quando e sempre que o queira.

Alegra-me haver quem tenha o senso, a coragem, e a nobreza de carácter de querer o que quer o Doutor Garcia Pereira para a cidade de Lisboa e para o país.

 

Os meus cumprimentos ao Doutor Garcia Pereira.

O meu mais sincero desejo para que não seja mais uma vez silenciada a sua voz nem lhe seja recusado o direito constitucional de cobertura mediática que aos outros candidatos é proporcionada.

Obrigado,

Pedro Albergaria Leite Pacheco




1 de Junho de 2007,

S.Miguel, Açores.

 

Publicado Por prospectar-perspectivar às 08:50
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" E dizemos uma flor foi colhida de nosso jardim! "

Inércia? Inércia não: luta!


Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.



Maiakovski (Georgia,1893 – Moscovo,1930)

 



E, parece, mais fácil cantar:


“Não há salvadores supremos!

Nem Deus, nem César, nem senhores!”.

Mais difícil é, pelos vistos, fazer face à vida sem pautar tudo pelo olhar do patrão, pelo rito do senhor, pelo louvor a César, e pelo óbulo a Deus.

 


Mais difícil, pelos vistos, é não ver como deuses, como senhores, como salvadores supremos, os mais destacados materialistas dialécticos, subvertendo tempos, lugares, actores,   circunstâncias.
Honra seja feita a quem afronta os equívocos e as tentativas de equívoco, singela e firmemente, pela defesa da inequívoca morada singular do pensamento.

Cada um, quer o queira ou não queira assumir, arrasta o pensamento consigo em função do exercício do conhecimento que adquire e dos interesses de classe que com maior ou menor visibilidade se lhe impregnam no quotidiano da sua acção. Mesmo quando se cola ao pensamento do outro ou se apropria do pensamento do outro é porque o pensamento do outro é o pensamento que o próprio pensa mais conveniente pensar como seu.
Ora, o que responde à pergunta e explica o desabafo (“Incrível” e “até quando?”) contidos na série de poemas transcritos cujo sentido inicial foi sendo abraçado em tempos e por autores diferentes (Maiakovski, Bertold Brecht, Martin Niemoller, Cláudio Humberto)?
O que responde à pergunta e explica o desabafo é a desatenção dos trabalhadores em geral e dos comunistas em particular para o que foi o século XX no desbravar dos traços e dos nexos duma teoria abrangente dos fenómenos conforme o materialismo dialéctico genericamente tipificado e no domínio económico particularizado na segunda metade do século XIX – primeira metade do século XX.

E refiro especialmente a teoria quântica, a teoria da relatividade e a teoria do(s) discurso(s) ou da(s) linguagem(ns) por uns chamada de semiologia e por outros de semiótica.
Tal como a palavra, só tem sentido se lhe derem sentido. É uma convenção com eficácia só enquanto aquela lhe for conferida.

Estamos a viver o fim do que corresponde ao princípio exposto há dois mil anos: se numa dada altura o homem se julgou fruto do verbo que criara, maravilhado pelo poder da palavra, hoje muitos ainda, apesar de produtores, ainda do dinheiro se fazem produto.
O dinheiro, tal como a palavra é um instrumento de interacção. Do ponto de vista da natureza convencional em nada se distinguem a palavra e o dinheiro. Mas do ponto de vista da substância as diferenças entre o dinheiro e a palavra são notórias e importantes.
Enquanto a palavra ganha ou perde substância conforme a aferição que se lhe faz ao confrontar-se a matéria significante com o universo de referentes no sujeito ou sujeitos em causa, o dinheiro perde ou ganha substância consoante os recursos em bens, sejam eles efectivos ou potenciais como quando é o caso da força disponível de trabalho.
O dinheiro, tal como a palavra, é objecto de controlo severo (operativo e gramatical). Controlo por um lado fundamental para que a convenção tenha sentido, e portanto substância, o que explica a aceitação do mesmo pela massa que assume a convenção. Mas por outro lado controlo oportunista para aqueles que, valendo-se da referida primeira premência, dele se valem para o maior e se possível o mais estrito proveito próprio.

É assim visivelmente com o dinheiro.

Mas se virmos com atenção também é assim com a palavra.

Veja-se só a troça que recai logo sobre o operário que usa de recursos vocabulares mais eruditos ou o expresso desagrado quando o erudito recorre à linguagem popular.
Este estabelecer de campos diferenciados de normalidade entre explorados e exploradores é que está na origem do drama que vivemos, estabelecimento, aliás, em clara ruptura interna e colapso estrutural, pois a destruição de todo o pré-estabelecido para a acumulação capitalista poder continuar a acontecer arrasta consigo a destruição de pessoas e bens numa escala cuja dimensão as brutais guerras em curso são meros esboços preparatórios num horizonte surpreendentemente marcado pela memória de duas ainda recentes grandes guerras mundiais.
Está bem na ordem do dia a afirmação de Mao-Tsé-Tung “ou a revolução impede a guerra ou a guerra desencadeia a revolução”, não sendo por acaso a primeira grande guerra contemporânea da revolução russa e a segunda grande guerra irmã no tempo com a revolução chinesa.
Saibamos fazer a revolução e não a guerra, e na guerra saibamos fazer a revolução.
Revolução que toma hoje rosto antes de mais no campo cultural, isto é, no campo da enunciação, dos vários sistemas de enunciação. E falar-se em enunciação é falar-se em comunicação. E falar-se em comunicação é falar-se em emissor e receptor! E emissor e receptor pressupõe um e outro e não um ou outro!

 

Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim.
E dizemos uma flor foi colhida de nosso jardim!


Publicado Por prospectar-perspectivar às 08:41
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