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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

Carta ao Dr. João Bosco Mota Amaral

 Carta ao Dr. João Bosco Mota Amaral

 

O aborto, do ponto de vista jurídico, em nada se distingue do divórcio.

O aborto, do ponto de vista da vida, em nada se distingue da guerra.

 

O divórcio

 

Até não há muito tempo o divórcio era assunto proibido, era objecto de perseguição e profunda repulsa expressa por quantos batendo o peito afirmavam a indissolubilidade do santo sacramento do matrimónio.

 

Quantas mulheres, porque foram as mulheres que mais sofreram com tal anátema, morreram por maus-tratos ou passaram uma vida de opressão e violência porque a sociedade considerava ilegal o direito de decidirem da sua vida conjugal?

 

Quantas mulheres, Dr. João Bosco Mota Amaral, não foram humilhadas uma vida inteira por conta de tão elevado e radical preceito da “Igreja de Cristo”, servindo-se os seus defensores da promiscuidade e dissolução de costumes a que conduziria a legalização de tal direito?

 

E no entanto, quando não se tratava de quaisquer mulheres do povo, para as quais a moral religiosa era cega e literalmente impositiva, quando se tratava de mulher de estirpe social ou de rainha, a indissolubilidade podia sofrer ajustes, arranjavam-se argumentos para excepcionar e abençoar o divórcio!

 

Temos bastos exemplos modernamente aqui nos Açores. Não faltam casos de ex-padres, figuras distintas e bem conhecidas, que ninguém, julgo, poderá pôr em causa a dignidade do seu exemplo de vida, e no entanto foram ordenados sacerdotes, num sacramento que sempre me lembro de ouvir dizer em tudo idêntico, no que respeita à indissolubilidade, ao matrimónio.

 

O Sr. Dr. Mota Amaral também argumenta, abraçando a defesa do NÃO, o caos de assassínios generalizados a que a liberalização do aborto conduziria numa portentosa onda de liquidação da espécie humana? Também argumenta que o direito da mulher decidir do seu direito de opção da maternidade conduz à mais completa promiscuidade sendo que as mulheres deste país, ao poderem valer-se do aborto à sua vontade, se o SIM ganhar, vão logo passar a fazer sexo por tudo o que é sítio e com todo e qualquer homem? É isso que pensa o Sr. Dr. Mota Amaral? É essa a ideia que tem da mulher?

 

A guerra

 

E aqui faço a outra ligação secular a que o aborto se liga, a guerra.

É o último argumento. É o argumento quando não se quer argumento algum. É o argumento quando tudo o mais perdeu todo o sentido.

Uma mulher que aborta, exceptuando os casos sempre excepcionais de sobrevivência e saúde, é uma mulher em guerra que mais não seja contra a maternidade que não deseja. E se não deseja é com processo-crime que passa a desejar?

 

O aborto

 

Quando assistimos na lei e nos tribunais, de forma, aliás, às vezes despudoradamente ilibada e insidiosa da responsabilidade e do poder dos fautores de delitos, alguns bem graves, para com pessoas e bens, como explica o Sr. Dr. Mota Amaral reafirmar processualmente a criminalização para com quem foi só parte da formação do novo ser vivo, numa indigna e imoral indiciação da mulher, quantas vezes parte mais passiva do que activa na consumação sexual?

 

Se criminalizar quer, Sr. Dr. Mota Amaral, e se quer equidade, ainda para mais hoje com a fiabilidade dos procedimentos de identificação da paternidade, terá necessariamente que integrar no processo o homem que fecundou o embrião, responsabilizando-o pela parte que averiguadamente se confirmar ter!

Mas isto os defensores do NÃO calam, e, curiosamente, as acaloradas defensoras da presente cruzada pela “vida” acatam e até ocultam!

 

Face a tal evidência pergunto ao Sr. Dr. Mota Amaral se considera que o NÃO, ao responsabilizar só uma das partes como passível de processo-crime, o que pretende é garantir o livre curso à genérica acção do macho e intimidar particularmente cada fêmea depois de fecundada de forma a salvaguardar o fruto dessa relação? Pergunto-lhe ainda se acha moralmente aceitável adulação versus criminalização como solução para garantir a procriação pela mulher e ainda se acha se há paridade homem/mulher perante a lei com tal opção da campanha que publicamente assumiu abraçar.

 

Grato por eventual atenção,

 

Publicado Por prospectar-perspectivar às 08:35
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