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Quinta-feira, 7 de Junho de 2007

Carta ao Doutor Garcia Pereira, candidato à Câmara Municipal de Lisboa

Do Arquipélago dos Açores para a Grande Lisboa.


Carta ao Doutor Garcia Pereira, candidato à Câmara Municipal de Lisboa.


A árvore, o arbusto, a flor do campo, são riqueza maior também para a cidade.
O progresso e o bem-estar para os habitantes da cidade são também uma riqueza para os habitantes do campo.

Sem as árvores, os arbustos e as flores do campo, não há água cristalina nem ar puro.
Destruir as árvores, os arbustos e as flores do campo, é rarefazer e inquinar a água. Destruir as árvores, os arbustos e as flores do campo, é não renovar o ar para todos.
Sem a alta concentração de recursos que uma cidade proporciona os problemas avolumam-se sem resposta satisfatória não só para os que dão corpo à cidade como para aqueles que só na cidade podem encontrar o que só lá pode efectivamente acontecer.

Destruir a vida na cidade é impedir que o corpo social encontre os meios necessários para que também a vida fora dela não colapse anulando em ambas as faces as suas distintas possibilidades de desenvolvimento.

O campo sem progresso expulsa os que nele vivem em pujantes levas de desespero a assolar a cidade.

Uma cidade sem qualidade de vida expulsa citadinos conspurcando os campos com as malversões que os forçaram a sair

Não vivo em Lisboa. Não vivo sequer na cidade. Vivo no campo conspurcado por citadinos exercendo sempre que podem sobre quem tomam por mais fracos a prepotência que não souberam no seu terreno afrontar com coragem e inteligência.

Não vivo em Lisboa mas alegra-me que haja quem na cidade e para a cidade saiba equacionar

um programa lógico, um programa prático, um programa simples, um programa suportado por uma teoria abrangente, precisa, explícita, procurando relacionar causa e efeito, problema e resolução de problema, de modo a poder tudo ser aferido e comprovado por quem quer que o queira e quando e sempre que o queira.

Alegra-me haver quem tenha o senso, a coragem, e a nobreza de carácter de querer o que quer o Doutor Garcia Pereira para a cidade de Lisboa e para o país.

 

Os meus cumprimentos ao Doutor Garcia Pereira.

O meu mais sincero desejo para que não seja mais uma vez silenciada a sua voz nem lhe seja recusado o direito constitucional de cobertura mediática que aos outros candidatos é proporcionada.

Obrigado,

Pedro Albergaria Leite Pacheco




1 de Junho de 2007,

S.Miguel, Açores.

 

Publicado Por prospectar-perspectivar às 08:50
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" E dizemos uma flor foi colhida de nosso jardim! "

Inércia? Inércia não: luta!


Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.



Maiakovski (Georgia,1893 – Moscovo,1930)

 



E, parece, mais fácil cantar:


“Não há salvadores supremos!

Nem Deus, nem César, nem senhores!”.

Mais difícil é, pelos vistos, fazer face à vida sem pautar tudo pelo olhar do patrão, pelo rito do senhor, pelo louvor a César, e pelo óbulo a Deus.

 


Mais difícil, pelos vistos, é não ver como deuses, como senhores, como salvadores supremos, os mais destacados materialistas dialécticos, subvertendo tempos, lugares, actores,   circunstâncias.
Honra seja feita a quem afronta os equívocos e as tentativas de equívoco, singela e firmemente, pela defesa da inequívoca morada singular do pensamento.

Cada um, quer o queira ou não queira assumir, arrasta o pensamento consigo em função do exercício do conhecimento que adquire e dos interesses de classe que com maior ou menor visibilidade se lhe impregnam no quotidiano da sua acção. Mesmo quando se cola ao pensamento do outro ou se apropria do pensamento do outro é porque o pensamento do outro é o pensamento que o próprio pensa mais conveniente pensar como seu.
Ora, o que responde à pergunta e explica o desabafo (“Incrível” e “até quando?”) contidos na série de poemas transcritos cujo sentido inicial foi sendo abraçado em tempos e por autores diferentes (Maiakovski, Bertold Brecht, Martin Niemoller, Cláudio Humberto)?
O que responde à pergunta e explica o desabafo é a desatenção dos trabalhadores em geral e dos comunistas em particular para o que foi o século XX no desbravar dos traços e dos nexos duma teoria abrangente dos fenómenos conforme o materialismo dialéctico genericamente tipificado e no domínio económico particularizado na segunda metade do século XIX – primeira metade do século XX.

E refiro especialmente a teoria quântica, a teoria da relatividade e a teoria do(s) discurso(s) ou da(s) linguagem(ns) por uns chamada de semiologia e por outros de semiótica.
Tal como a palavra, só tem sentido se lhe derem sentido. É uma convenção com eficácia só enquanto aquela lhe for conferida.

Estamos a viver o fim do que corresponde ao princípio exposto há dois mil anos: se numa dada altura o homem se julgou fruto do verbo que criara, maravilhado pelo poder da palavra, hoje muitos ainda, apesar de produtores, ainda do dinheiro se fazem produto.
O dinheiro, tal como a palavra é um instrumento de interacção. Do ponto de vista da natureza convencional em nada se distinguem a palavra e o dinheiro. Mas do ponto de vista da substância as diferenças entre o dinheiro e a palavra são notórias e importantes.
Enquanto a palavra ganha ou perde substância conforme a aferição que se lhe faz ao confrontar-se a matéria significante com o universo de referentes no sujeito ou sujeitos em causa, o dinheiro perde ou ganha substância consoante os recursos em bens, sejam eles efectivos ou potenciais como quando é o caso da força disponível de trabalho.
O dinheiro, tal como a palavra, é objecto de controlo severo (operativo e gramatical). Controlo por um lado fundamental para que a convenção tenha sentido, e portanto substância, o que explica a aceitação do mesmo pela massa que assume a convenção. Mas por outro lado controlo oportunista para aqueles que, valendo-se da referida primeira premência, dele se valem para o maior e se possível o mais estrito proveito próprio.

É assim visivelmente com o dinheiro.

Mas se virmos com atenção também é assim com a palavra.

Veja-se só a troça que recai logo sobre o operário que usa de recursos vocabulares mais eruditos ou o expresso desagrado quando o erudito recorre à linguagem popular.
Este estabelecer de campos diferenciados de normalidade entre explorados e exploradores é que está na origem do drama que vivemos, estabelecimento, aliás, em clara ruptura interna e colapso estrutural, pois a destruição de todo o pré-estabelecido para a acumulação capitalista poder continuar a acontecer arrasta consigo a destruição de pessoas e bens numa escala cuja dimensão as brutais guerras em curso são meros esboços preparatórios num horizonte surpreendentemente marcado pela memória de duas ainda recentes grandes guerras mundiais.
Está bem na ordem do dia a afirmação de Mao-Tsé-Tung “ou a revolução impede a guerra ou a guerra desencadeia a revolução”, não sendo por acaso a primeira grande guerra contemporânea da revolução russa e a segunda grande guerra irmã no tempo com a revolução chinesa.
Saibamos fazer a revolução e não a guerra, e na guerra saibamos fazer a revolução.
Revolução que toma hoje rosto antes de mais no campo cultural, isto é, no campo da enunciação, dos vários sistemas de enunciação. E falar-se em enunciação é falar-se em comunicação. E falar-se em comunicação é falar-se em emissor e receptor! E emissor e receptor pressupõe um e outro e não um ou outro!

 

Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim.
E dizemos uma flor foi colhida de nosso jardim!


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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

Carta ao Dr. João Bosco Mota Amaral

 Carta ao Dr. João Bosco Mota Amaral

 

O aborto, do ponto de vista jurídico, em nada se distingue do divórcio.

O aborto, do ponto de vista da vida, em nada se distingue da guerra.

 

O divórcio

 

Até não há muito tempo o divórcio era assunto proibido, era objecto de perseguição e profunda repulsa expressa por quantos batendo o peito afirmavam a indissolubilidade do santo sacramento do matrimónio.

 

Quantas mulheres, porque foram as mulheres que mais sofreram com tal anátema, morreram por maus-tratos ou passaram uma vida de opressão e violência porque a sociedade considerava ilegal o direito de decidirem da sua vida conjugal?

 

Quantas mulheres, Dr. João Bosco Mota Amaral, não foram humilhadas uma vida inteira por conta de tão elevado e radical preceito da “Igreja de Cristo”, servindo-se os seus defensores da promiscuidade e dissolução de costumes a que conduziria a legalização de tal direito?

 

E no entanto, quando não se tratava de quaisquer mulheres do povo, para as quais a moral religiosa era cega e literalmente impositiva, quando se tratava de mulher de estirpe social ou de rainha, a indissolubilidade podia sofrer ajustes, arranjavam-se argumentos para excepcionar e abençoar o divórcio!

 

Temos bastos exemplos modernamente aqui nos Açores. Não faltam casos de ex-padres, figuras distintas e bem conhecidas, que ninguém, julgo, poderá pôr em causa a dignidade do seu exemplo de vida, e no entanto foram ordenados sacerdotes, num sacramento que sempre me lembro de ouvir dizer em tudo idêntico, no que respeita à indissolubilidade, ao matrimónio.

 

O Sr. Dr. Mota Amaral também argumenta, abraçando a defesa do NÃO, o caos de assassínios generalizados a que a liberalização do aborto conduziria numa portentosa onda de liquidação da espécie humana? Também argumenta que o direito da mulher decidir do seu direito de opção da maternidade conduz à mais completa promiscuidade sendo que as mulheres deste país, ao poderem valer-se do aborto à sua vontade, se o SIM ganhar, vão logo passar a fazer sexo por tudo o que é sítio e com todo e qualquer homem? É isso que pensa o Sr. Dr. Mota Amaral? É essa a ideia que tem da mulher?

 

A guerra

 

E aqui faço a outra ligação secular a que o aborto se liga, a guerra.

É o último argumento. É o argumento quando não se quer argumento algum. É o argumento quando tudo o mais perdeu todo o sentido.

Uma mulher que aborta, exceptuando os casos sempre excepcionais de sobrevivência e saúde, é uma mulher em guerra que mais não seja contra a maternidade que não deseja. E se não deseja é com processo-crime que passa a desejar?

 

O aborto

 

Quando assistimos na lei e nos tribunais, de forma, aliás, às vezes despudoradamente ilibada e insidiosa da responsabilidade e do poder dos fautores de delitos, alguns bem graves, para com pessoas e bens, como explica o Sr. Dr. Mota Amaral reafirmar processualmente a criminalização para com quem foi só parte da formação do novo ser vivo, numa indigna e imoral indiciação da mulher, quantas vezes parte mais passiva do que activa na consumação sexual?

 

Se criminalizar quer, Sr. Dr. Mota Amaral, e se quer equidade, ainda para mais hoje com a fiabilidade dos procedimentos de identificação da paternidade, terá necessariamente que integrar no processo o homem que fecundou o embrião, responsabilizando-o pela parte que averiguadamente se confirmar ter!

Mas isto os defensores do NÃO calam, e, curiosamente, as acaloradas defensoras da presente cruzada pela “vida” acatam e até ocultam!

 

Face a tal evidência pergunto ao Sr. Dr. Mota Amaral se considera que o NÃO, ao responsabilizar só uma das partes como passível de processo-crime, o que pretende é garantir o livre curso à genérica acção do macho e intimidar particularmente cada fêmea depois de fecundada de forma a salvaguardar o fruto dessa relação? Pergunto-lhe ainda se acha moralmente aceitável adulação versus criminalização como solução para garantir a procriação pela mulher e ainda se acha se há paridade homem/mulher perante a lei com tal opção da campanha que publicamente assumiu abraçar.

 

Grato por eventual atenção,

 

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Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007

A Questão do Aborto

A delicadeza e a complexidade da questão.

Creio que ninguém contesta que é delicada e complexa a questão do aborto.

E quanto mais delicada e complexa é uma questão, mais se impõe singela e claramente enunciá-la. A não ser assim, à dita complexidade junta-se a confusão de quem a quer interpretar e nela intervir.

A não ser assim, sobre aquela delicadeza, é a brutalidade que se impõe.

A delicadeza

Porque é delicada?

É delicada porque envolve a vida. A vida da gestante. A vida em gestação. E a vida da comunidade de que a vida em gestação e a vida da gestante comparticipam. E a vida, para a vida, é sempre a grande questão. Mas um traço indissociável da vida é a morte. A vida prossegue com a morte aprazada de cada individual manifestação vital. E porquê? Porque, pela própria natureza da vida, cada segundo, cada minuto, cada hora, cada dia, cada semana, cada ano que se vive é diferente de todo o outro, é sempre novo e nunca repetido, impondo assim permanentemente à continuidade a adequação. Ora o que é mais fácil: é arranjar o carro que começa a ter peças somam e seguem com cada vez mais imprevistas avarias, ou é adquirir outro novo e desmantelar o velho que está a levantar tantos problemas e a exigir tanta despesa, ou, uma outra forma de dizer, tanta energia? Também a vida evoluiu sempre num sentido de eficácia. A singularidade da vida é garantida pela dupla possibilidade de cada singular vivente vir diferente do que lhe deu origem, optimizando resposta às sempre novas circunstâncias, por um lado, e garantindo por outro a reciclagem, obstando perdas impossíveis de energia. Mas o que é interessante é que apesar disto ser assim quem vive faz por não morrer. Cada gesto, acto, realização, relevante, parece querer-se eterno. E vai virtualmente sendo-o contra tudo e contra todos que resistem à salvaguarda e ao modelar do discurso, como de outra forma já admiravelmente o disse Camões ao referir os que pelos feitos de memória em memória se vão "da lei da morte libertando".

A complexidade

Porque é complexa?

É complexa exactamente como atrás se infere porque envolve indivíduos e recursos, saberes e ignorâncias, crenças, interesses, nexos, circunstâncias, envolve hábitos e preconceitos, envolve perigos, facilidades, dependências, seguranças e medos, envolve liberdade e assunção, luta e sobrevivência.

Duas caras, duas máscaras

As máscaras e as caras do SIM e do NÃO.

Tal como haveríamos de ver o NÃO, por incrível que a muitos isso possa parecer, tomar corpo num referendo sobre a resolução da desonra da exploração do homem pelo homem, argumentando os seus defensores, com sólidos argumentos, o colapso da economia e o afundar da civilização que a irreflectida e perigosa opção de acabar com tal prática iria trazer e o decorrente enorme mal que daí advinha para as populações obrigadas a tal desmando, também nesta questão do aborto a máscara do NÃO põe a opa inquisitorial por cima do apreço pela vida que proclama. Não correm agora os frades de crucifixo em punho a arrastar os incautos e os assassinos para o assalto ou para o massacre dos que não professam a mesma crença ou opinam diferente. Mas fazem vigílias e rezas, abaixo-assinados, multiplicam comissões, para à conta do direito à vida insinuarem renovados autos de castigo. Não já autos de fé como outrora se fizeram nas praças do reino queimando em enormes fogueiras quem chamavam bruxas ou feiticeiras, relapsos e hereges. O fogo hoje é o do negócio sustentado pelo desespero das acossadas e dos acossados pela lei do mais forte, é o fogo do negócio de quem das dificuldades dos outros tem ganha-pão ou ganha jóias. É o fogo do banco dos réus com que são intimidados os que se intimidam e os que não se intimidam, e afrontam e sofrem acusações iníquas ou cruéis. E é a própria chamada Igreja de Cristo que, ao invés de se guardar nos princípios de liberdade que o amor chancela, se apresta e fomenta a atirar a pedra - e mais do que para o que pecou a raiva maior parece concentra sobre aquele que recusa apedrejar. É que uma coisa é a desejada, legítima, generosa, elevada, corajosa, dádiva pela vida dos que rejeitam praticar a interrupção de uma gestação em curso fruto da partilha íntima de um homem e de uma mulher, assumindo zelosamente a maternidade e a paternidade, e outra completam entre diferente é a perseguição, a humilhação, a intimidação, a morte acossada com o selo da ignomínia em nada diferente do direito islâmico do marido matar à pedrada a mulher "adúltera" na rua. O ínvio, o abjecto, a subtil subversão que o NÃO vela é exactamente ao fazer de uma causa elevada e íntegra a favor da vida uma cruzada persecutória aos que foram lançados ou se lançaram no deserto dos seus recursos.

Tal como a rapina a situar a presa no terreno da captura, por trás da máscara do SIM espera-se o abrir-se a brecha no acima referido chamado obscurantismo, pré-capitalista para a oportunidade capitalista da multiplicação do negócio contado pelo número de abortos que aproximadamente se sabe de antemão ocorrer no país, mais, como a todo o bom negócio que se preze, a desejada expansão!

E, tal como após a apropriação dos bens conventuais pelo estado liberal vitorioso, ainda havemos de ver (já estamos aliás a ver) a Igreja que agora diz raios e coriscos do "atentado à vida" abençoar os que lhes garantem a côngrua com tal negócio.

O direito à vida constitucionalmente enunciado para todo o território do país não deve permitir cortar ao meio o corpo do filho reclamado na célebre sentença de Salomão.

À mulher na sociedade de hoje não foi ainda conferida na diferença a plena igualdade de direitos e de deveres. Não é a ameaça ou o chicote que a emancipa. Nem a subserviência, seja ao homem, seja ao que for. A segurança e a igualdade na diferença não se garante pela adulação ou pela intimidação, mas pela efectiva e completa paridade e confiança.

A minoria de mulheres, ou porque vazadas de carácter e de fortuna, ou porque profundamente discrédulas e isoladas socialmente, ou que por qualquer outra razão recusam desesperada ou decididamente a maternidade, devem ter o acompanhamento médico e de enfermagem que evitem tanto quanto possível a duplicação da morte ou a multiplicação de amputações e malformações pessoais.

À maioria restante, o estado de quem trabalha e de quem vence o estigma da milenar exploração do homem pelo homem, o estado que se desenha mas se não impôs, forte, ainda, esse estado praticamente tão mais profundamente virtual quanto decisiva e decididamente eficaz, proclama segura e confiadamente a emergência das novas gerações como essencial à continuidade da vida e ao, multiplicado em série de esboços, salto qualitativo civilizacional a que tanto se aspira.

Não crucifiquemos

E não é pelo facto do Primeiro-Ministro Sócrates mimar agora o gesto de Pilatos que muda o carácter de quem tem carácter. Mas o público lavar de mãos do Primeiro-Ministro é preciso a todo o custo que não tenha o efeito do ludíbrio que alguns pretendem, nem muito menos a menos que cinda o corpo social à volta de uma tão falaciosa e falsa cisão.

Façamos tudo todos para não nos intimidarmos com o NÃO e o SIM de cada um, e de um processo eivado de ambiguidades e rasteiras, saíamos reforçados quer do ponto de vista de um reforçado sentido democrático de clarificação de ideias e de opções, quer no que respeita à necessária organização de quem não pode deixar de tomar a peito o direito de cidadania que se proclama universal mas alguns parece teimam só a eleitos pertencer.

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A Propósito do Plenário Sindical no Coliseu Micaelense

 

Um professor, que mais não seja por tarimba profissional e dever de ofício, tem de saber traçar, com os dados que lhe são acessíveis, um retrato, o chamado diagnóstico, daquele ou daqueles com quem trabalha, para assim nortear o concreto da sua acção.

Não só com os alunos temos trato profissional. Estamos, aliás, e com uma premência que vai ganhando particular relevância, a ter de tratar com superior clareza com o titular da pasta da Educação na Região Autónoma dos Açores. Temos por isso não só obrigação como a imprescindibilidade de lhe fazer o diagnóstico, de enunciar, nem que seja num tosco, com a informação de que se dispõe, os traços mais marcantes para uma mais profícua mútua relação. Da minha parte tenho sempre procurado não equivocar. O Dr. Álamo de Menezes, Secretário Regional da Educação e Cultura, nosso colega, como se considerou a si próprio no penúltimo Plenário Sindical no Coliseu Micaelense, ao qual por troca de datas não tive a oportunidade de comparecer, tem uma visão férrea das suas funções administrativas e um supino desprezo pelas amenidades daqueles a quem considerou seus pares. O que podia ser muito bom, se a matriz política que o anima fosse de natureza menos dúplice. É que há ética com verniz muito fácil de estalar e onde a responsabilidade se casou com a corrupção e a arbitrariedade. A ver vamos. Se lobo, e a pata branca subterfúgio para atingir os objectivos que pretende. Se Mouron Rouge fleugmático e distante a esconder a generosidade dos seus actos para levar até ao fim com êxito a elevada e arriscada missão no seio do inimigo. Se fascista encoberto de democrata para ludibriar e trair aqueles de quem circunstancialmente obteve votos e a função que exerce. Se democrata convicto de que há que gastar os sapatos de ferro nas agruras dos ásperos caminhos. Se os dentes afiados caninos são mera máscara para vitórias conjuntas ou se afiados para devorar a presa sendo o riso afável mera máscara pudibunda. Se como aqueles peixes que ora são fêmea ora são macho, ora nem macho nem fêmea em assexuada multiplicação pacífica. Se numa de corda bamba política, se numa de esticar forte a corda.

O facto é que de lebre passou aparentemente à cauda do pelotão da governação "socialista". Do impossível diálogo ao diálogo. Da liminar intransigência autocrática à partilhada audição. Honra seja feita à resistência dos colegas do ou dos sindicatos, e falo dos que conheço, o colega Armando Dutra e as colegas Graça Menezes e Clara Torres que se têm permitido oferecer para tão paciente confronto, num notável esforço de estabelecer pontes entre margens assaz movediças.

É que o "Estatuto Regional" tem dois rostos. O rosto do recuo do Governo Regional para consolidar forças para um contra ataque mais eficaz na efectiva proletarização dos professores como produtores directos de mais valias para gáudio de alguns tantos próceres e o rosto do abraço a uma causa fazendo recuar tal tentativa a favor de uma ordem produtiva e distributiva consentânea com as aspirações e recursos de hoje em dia. O rosto de uma vitória dos professores como parte activa no desenho duma sociedade animosa, ilustrada e justa a galvanizar os nossos colegas no continente para juntos todos vencermos os desafios que se nos colocam pela frente enquanto povo, e o rosto de um colectivo cindido mais pronto para a derrota a possibilitar o saque pelo inimigo. O futuro o dirá, como se costuma dizer. Na certeza porém que esse futuro será de uma ou de outra forma conforme a orientação que dermos à nossa acção, conforme as opções que abraçarmos, conforme a clareza, enfim, com que tudo se nos desenhe a iluminar-nos os passos.

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Votação no dia 24/01 de 2007 do Projecto de Relatório de Kyosti Virrankoski sobre biotecnologia.

 

Exmos. Srs. Euro deputados Duarte Freitas e Capoulas Santos

 

A biotecnologia da descoberta e da libertação, a biotecnologia da satisfação, a biotecnologia da interacção, a biotecnologia da vida, só no domínio do método tem a ver com a biotecnologia da morte e da exploração.

No actual contexto qualquer permissão ou apoio à produção e à comercialização de produtos agrícolas transgénicos é um perigo a não subestimar por aqueles dirigentes que queiram estar atentos à vida na nave espacial terra - para usar a significativa expressão com que Buckminster Fuller se referiu ao nosso planeta.

Além de ser grotesco, como o faz o relatório, confundir ou reduzir a biotecnologia ao negócio dos organismos geneticamente modificados, é aberrante e grave usar a biotecnologia como máscara de circunstância para fazer passar impunes práticas criminosas de morte e de exploração.

É preciso ter a noção da leviandade, da violência e da gravidade das consequências que advêm do tomar-se como inócuo o que contamina, como indiscutível o que com cada vez maior premência se impõe discutir, como resolúvel o que equivoca e agrava o problema.

No actual cenário económico aceder à gravata por aquela via é ter em troca cada vez mais nada no corpo nu; querer roupa por aquela via é pôr a farda da força-aéria contaminando milhares de milhares de hectares no território do Vietname a sofrer ainda o enorme desastre ecológico do "agente laranja"; pôr achas por aquela causa é atear o fogo que nos consome para que nos consumam; no actual cenário global tal cenário económico agrava a dependência dos produtores e agrava a qualidade de vida das massas tão mais distante do nível de vida de uns tantos títeres quanto mais com o freio nos dentes os que usam e abusam do seu próximo.

Porque já fazemos naves espaciais vamos destruir a nossa nave-mãe? À conta da rarefacção das pequenas estações com que prospectamos o universo extra-terrestre, vamos rarefazer aquela onde nos formámos? Ao recusarmos a biodiversidade original não nos estaremos a recusar também?

Uma economia de escala tão redutora como aquela que carimba o actual negócio dos transgénicos, um maneio tão indiferente e até mesmo tão danoso à natureza do contexto onde acontece, em suma, uma teoria e uma prática tão assumidamente simplistas, agressivas e unilaterais, não passam disso, pelo que peço toda a Vossa atenção para tal facto e o liminar repúdio do Projecto de Relatório de Kyosti Virrankoski em nome do país que no Parlamento Europeu sois corpo.

Publicado Por prospectar-perspectivar às 17:22
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